Resultado do Banco do Brasil no 2º semestre de 2025: queda no lucro, inadimplência em alta e perspectivas para as ações BBAS3
O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou os resultados do segundo semestre de 2025 e os números confirmaram o momento de forte pressão sobre a rentabilidade da instituição. O lucro líquido ajustado do 2T25 foi de R$ 3,8 bilhões, representando uma queda de 60% em relação ao mesmo período de 2024 e de quase 49% frente ao primeiro trimestre deste ano. No acumulado do primeiro semestre de 2025, o banco registrou R$ 11,2 bilhões de lucro, uma retração de 40,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando havia reportado R$ 18,8 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), importante indicador de rentabilidade, também caiu de forma expressiva. No 2T25, ficou em apenas 8,4%, bem abaixo dos 21,6% registrados em 2024 e dos 16,7% do 1T25. Esses números mostram a rápida deterioração da performance financeira do banco, que já havia sofrido no início do ano, mas apresentou um segundo trimestre ainda mais fraco.
Entre os fatores que explicam esse desempenho, o principal é o avanço da inadimplência na carteira de crédito, especialmente no agronegócio, segmento em que o Banco do Brasil é líder. A taxa de atrasos acima de 90 dias subiu para 3,49%, contra 3,04% no trimestre anterior, enquanto a inadimplência acima de 30 dias passou de 4,11% para 5,53%. Esse aumento forçou a instituição a reforçar as provisões para devedores duvidosos (PDD), que chegaram a R$ 15,9 bilhões no trimestre, quase o dobro do registrado um ano antes.
Outro ponto que pressionou o resultado foi a margem financeira, que caiu 1,9% em relação ao ano anterior, somando R$ 25 bilhões, além da redução de 1% na receita com serviços, que ficou em R$ 8,8 bilhões. Mudanças regulatórias e contábeis, como a adoção da Resolução CMN 4.966/21, também tiveram impacto negativo na contabilização de ativos e provisões.
Apesar do cenário desafiador, a participação em empresas coligadas, como a BB Seguridade e o Banco Votorantim, foi decisiva para evitar um resultado ainda pior. Só no primeiro semestre, a equivalência patrimonial respondeu por 72% do lucro líquido do banco.
Diante desse quadro, o Banco do Brasil revisou seu guidance para 2025. A instituição agora projeta lucro líquido ajustado entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões, bem abaixo da faixa anterior de R$ 37 a R$ 41 bilhões. O payout de dividendos também foi reduzido para 30%, contra a estimativa anterior de 40% a 45%. Além disso, a previsão de crescimento da carteira de crédito foi cortada para um intervalo entre 3% e 6%.
Os analistas de mercado reagiram com cautela. O Safra, por exemplo, havia projetado lucro de R$ 4,6 bilhões no 2T25, mas o resultado veio ainda pior. O banco mantém recomendação neutra para BBAS3, com preço-alvo de R$ 25 até o fim de 2025, o que representaria um potencial de valorização em torno de 21% frente às cotações atuais. Já casas como Goldman Sachs e Bank of America destacam que o ambiente segue desafiador para o setor bancário brasileiro, com juros elevados e aumento da inadimplência, fatores que devem seguir pesando sobre os balanços.
Apesar do lucro fraco, as ações BBAS3 chegaram a subir após a divulgação dos resultados, impulsionadas pela percepção de que boa parte do ajuste já estaria precificada. Ainda assim, o BTG Pactual classificou o momento como de “visibilidade baixa”, recomendando cautela aos investidores que pensam em aumentar exposição ao papel.
Em resumo, o resultado do Banco do Brasil no 2º semestre de 2025 confirma uma tendência de queda na lucratividade, pressionada por inadimplência e provisões elevadas. As perspectivas para os próximos trimestres dependem do controle da carteira de crédito, da evolução do agronegócio e do ambiente macroeconômico. Para os investidores, o banco segue pagando dividendos, mas em patamar reduzido, e as ações exigem uma postura conservadora até que os sinais de recuperação fiquem mais claros.
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