PIB em queda, agronegócio em crise e pacote de R$ 30 bi: destaques do mercado financeiro (18/08/2025)
A economia brasileira dá sinais de enfraquecimento
O IBC-Br, índice divulgado pelo Banco Central e considerado uma prévia do PIB, caiu 0,1% em junho, contrariando as expectativas do mercado, que esperava uma leve alta. O principal motivo para esse recuo foi o setor agrícola, que apresentou uma retração significativa de 2,3% no período.
Essa queda no agronegócio acabou puxando o resultado geral para baixo. Se o desempenho do campo fosse desconsiderado, a economia teria mostrado uma pequena alta de 0,1%, sustentada por avanços nos setores de indústria e serviços.
No acumulado do segundo trimestre de 2025, o Brasil ainda registrou um crescimento de 0,3%, mas em ritmo mais lento do que o observado no início do ano. O dado oficial do PIB, medido pelo IBGE, será divulgado em 2 de setembro, e deve confirmar essa desaceleração.
Por que isso importa?
Para o investidor, o IBC-Br é um termômetro importante, porque mostra a força (ou a fraqueza) da economia. Uma atividade econômica mais fraca pode levar o Banco Central a manter cortes de juros para estimular o consumo e o crédito, o que impacta diretamente renda fixa, bolsa e câmbio.
Agronegócio sofre com inadimplência recorde
Outro destaque do dia vem do Banco do Brasil, que revelou que a inadimplência no crédito rural subiu para 3,49% no segundo trimestre de 2025, contra 3,04% no trimestre anterior e apenas 1,32% no mesmo período de 2024.
Essa disparada no calote é atribuída a uma combinação de fatores:
- Problemas climáticos, que afetaram a produtividade.
- Juros ainda altos, que encarecem o financiamento do produtor rural.
- Custos de insumos, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que continuam pressionados.
Impacto para o mercado: esse aumento na inadimplência acende um alerta sobre a saúde financeira do setor que mais sustenta as exportações brasileiras. Se os produtores não conseguem pagar seus financiamentos, bancos e cooperativas de crédito ficam expostos a riscos maiores. Além disso, empresas da cadeia do agronegócio, como fornecedoras de máquinas e insumos, também podem ser afetadas.
Por outro lado, existe expectativa de melhora com a safra 2025/26, que deve ser mais favorável, e com a possível recuperação dos preços internacionais de commodities agrícolas.
Governo reage às tarifas dos EUA com pacote de R$ 30 bilhões
O governo brasileiro anunciou um pacote de estímulos de R$ 30 bilhões para exportadores atingidos pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que subiram para 50%.
O pacote prevê medidas como:
- Linhas de crédito subsidiado para empresas exportadoras.
- Diferimento de impostos, permitindo que companhias adiem o pagamento de tributos.
- Seguros e incentivos para manter a competitividade no mercado interno.
O impacto deve ser relevante, já que as exportações brasileiras vinham sendo pressionadas pelas barreiras comerciais americanas. Agora, com esse apoio financeiro, o governo busca evitar uma queda brusca no volume exportado e, consequentemente, na arrecadação e no crescimento econômico.
Para os investidores, essa medida pode beneficiar principalmente empresas de setores exportadores, como siderurgia, papel e celulose, mineração e alimentos processados.
BRF confiante na retomada de exportações de frango
A empresa BRF, uma das maiores exportadoras de alimentos do Brasil, espera que as importações de frango por parte da China e da União Europeia sejam retomadas em questão de dias ou semanas.
As compras desses países haviam sido suspensas por causa da gripe aviária, o que gerou estoques e reduziu o ritmo de vendas da companhia. Agora, com a perspectiva de normalização, a empresa vê um cenário mais positivo.
Além disso, a queda no preço do milho, principal insumo da ração de frangos, deve reduzir os custos de produção e aumentar as margens da BRF. Isso pode significar resultados melhores no segundo semestre e dar fôlego às ações da empresa na bolsa de valores.
Indicadores que guiam o mercado
Além dessas notícias, o dia também é marcado pela divulgação de indicadores econômicos importantes:
- O Boletim Focus, que traz as projeções do mercado para inflação, PIB, dólar e taxa Selic.
- O IGP-10, índice que mede a inflação no atacado e serve como sinal de preços futuros.
- Novos dados de fluxo cambial, que mostram a entrada e saída de dólares do país.
Esses números ajudam a direcionar o mercado de câmbio, juros e renda variável ao longo da semana.
Conclusão
O cenário desta segunda-feira é de contrastes: de um lado, os indicadores econômicos mostram uma economia mais fraca e vulnerável, com destaque para a desaceleração do PIB e a inadimplência recorde no agronegócio. Do outro, o pacote bilionário de estímulo do governo e a expectativa de retomada das exportações agrícolas trazem algum alívio.
Para o investidor, o momento exige atenção redobrada: entender os impactos setoriais, acompanhar os movimentos do Banco Central e avaliar como esses fatores se refletem em juros, câmbio, bolsa de valores e commodities será essencial para tomar decisões mais assertivas.
Publicar comentário