Guia prático para investir em criptomoedas
Entendendo as criptomoedas
As criptomoedas são um tipo de dinheiro como os outros que conhecemos (Real, dólar, euro entre outros), porém a principal diferença é que as criptomoedas são totalmente digitais. A maioria das criptomoedas são decentralizadas, ou seja, não dependem de uma instituição bancária para realizar as transações. Como as criptomoedas não necessitam de sistema bancário para realizar transações, o portador da criptomoeda possui toda a responsabilidade da custódia e transferência do capital.
O primeiro país a adotar uma criptomoeda como moeda oficial foi El Salvador em novembro de 2021 com o bitcoin, o que foi um grande avanço para as criptomoedas em geral, porém essa atitude não rendeu muitos frutos para o país. Vale ressaltar que o mercado de criptomoedas e relativamente novo com a primeira criptomoeda que realmente funcionou sendo criada em 2008 com o bitcoin, ou seja, o mercado ainda tem muito a se desenvolver.
As criptomoedas tem ganhado força principalmente com a entrada dos investidores institucionais e com a criação de ETF de criptomoedas, o que faz com que o mercado de cripto desenvolva. Outro fator que tem impulsionado as criptomoedas são que alguns governos demonstraram interesse no bitcoin como reserva de valor, como o candidato eleito dos EUA, Donald Trump, que durante sua campanha uma de suas propostas era adquirir o bitcoin como reserva de valor para o país.
Porque investir em criptomoedas
As criptomoedas apresentam diversos benefícios quando comparado com as moedas fiduciárias, o primeiro ponto positivo das criptomoedas é que não é necessário um mediador para as transações (como bancos por exemplo), ou seja, a custodia das criptomoedas depende unicamente do dono. As transações processadas e validadas por milhares de membros da comunidade em troca de uma remuneração.
A segurança é outro ponto positivo das criptomoedas, pois, desde que o portador das criptomoedas faça a custódia da maneira certa, o seu dinheiro não pode ser acessado por ninguém sem a sua permissão. As criptomoedas também não podem ser confiscadas pelo governo como já ocorreu em diversos países com as moedas fiduciárias, inclusive no Brasil no mandato do presidente Collor em 1990 onde a medida provisória impedia os saques da caderneta de poupança, dos CDBs, dos fundos de renda fixa, valores em conta corrente e investidos no overnight.
Outro ponto importante das criptomoedas é que o governo não tem autonomia sobre as criptomoedas, ou seja, o governo não pode aumentar a oferta monetária criando mais dinheiro e consequentemente aumentar a inflação como ocorre nas moedas fiduciárias.
E por fim o mercado de criptomoedas é muito novo quando comparado com outros mercados, o que possibilita que investidores rentabilizem o seu patrimônio por meio da valorização dos ativos. Como o mercado de criptomoedas é recente os ativos ainda são mal precificados, o que aumenta a volatilidade das criptomoedas e possibilita retornos exponenciais.
O que é a blockchain?
A blockchain é um grande banco de dados onde é registrada todas as transações que acontecem entre os portadores de criptomoedas.
A principal diferença entre a blockchain e o banco de dados de uma instituição financeira tradicional é que quem registra as transações na blockchain são os próprios usuários espalhados pelo planeta, e as transações são verificadas por todos os usuários ativos, ou seja, para que alguém consiga fraudar alguma transação na blockchain seria necessário alterar em todos os usuários da rede, o que é praticamente impossível levando em consideração a quantidade de usuários na blockchain.
Depois que as informações foram registradas e validadas é impossível que sejam alteradas, tudo isso para que o sistema seja o mais confiável e seguro possível.
Entendendo o Bitcoin
O bitcoin foi a primeira criptomoeda que realmente funcionou nesse mercado, surgindo com a proposta de ser uma moeda decentralizada, não inflacionária e inconfiscável. O bitcoin surgiu em 2008 através de seu criador que ainda não é conhecido e se esconde sob o pseudônimo de SATOSHI NAKAMOTO.
O bitcoin é considerado uma moeda não inflacionária, pois, é impossível que haja mais de 21 milhões de bitcoins o que com o passar do tempo tende a aumentar seu preço, devido a sua alta escassez. Outro ponto que aumenta o valor é que a cada 4 anos a quantidade de bitcoins criados diminui pela metade, o chamado halving do bitcoin. Muitos bitcoins já foram perdidos durante a história da criptomoeda, o que promove ainda mais a escassez e consequentemente o valor da moeda digital.
O bitcoin é descentralizado, pois, nenhuma empresa, governo ou pessoa consegue criar mais bitcoins do que o predeterminado por Nakamoto. Nenhum Banco Central pode alterar o preço do bitcoin, isso significa que o valor do bitcoin é definido exclusivamente pela oferta e a demanda.
Como funciona a blockchain do Bitcoin?
À primeira vista pode parecer complicado entender o funcionamento da blockchain, porém não é algo tão complexo como parece, vamos entender melhor como essa tecnologia inovadora funciona.
As informações são guardadas dentro de blocos na rede do bitcoin, e cada bloco possui uma assinatura eletrônica única chamada de hash ou proof of work. Cada novo bloco de informações possui as novas informações sobre as transações da criptomoeda, juntamente com a hash do bloco anterior e também a hash do bloco atual, ou seja, caso alguém queira fraudar um bloco de informações é necessário que todos os blocos anteriores sejam modificados, pois caso contrário o bloco não é aceito na rede.
Mais bitcoins são criados através do processo chamado de mineração, onde os mineradores de bitcoin trabalham para processar as transações da rede e a cada bloco verificado com sucesso os mineradores recebem uma quantidade predeterminada de bitcoins. Porém como já dito, a cada 4 anos ou mais especificamente a cada 210 mil blocos validados a recompensa dos mineradores são reduzidas pela metade.
Quando o bitcoin atingir a quantidade máxima de 21 milhões os mineradores passarão a ser remunerados pelas taxas cobradas na rede.
Altcoins: outras opções de criptomoedas
Todas as criptomoedas além do bitcoin são chamadas Altcoins, elas recebem esse nome por serem criptomoedas alternativas ao bitcoin. As Altcoins são moedas que utilizam de alguns conceitos básicos do bitcoin, porém apresentam regras únicas (como mecanismos de consenso e mineração por exemplo).
Enquanto o bitcoin foi a criptomoeda pioneira nesse mercado e estabeleceu o padrão inicial, as Altcoins surgem no mercado buscando soluções diferentes e inovadoras. Porém cada criptomoeda tem sua lógica e funcionamento próprio.
Dentro do grupo das Altcoins existem as stablecoins e as memecoins.
As stablecoins são criptomoedas lastreadas em dólar ou em outros ativos (moedas fiduciárias, ouro, outras criptomoedas em outros), o que faz com que o seu preço de mercado seja estável em relação ao ativo que a criptomoeda foi lastreada.
Já as memecoins são moedas criadas a partir de piadas da internet, que em alguns casos viralizam no mercado e se valorizam de maneira incrível, como por exemplo a Dodgecoin, que foi criada para ser uma moeda divertida e atingir um publico mais amplo que outras criptomoedas. Essa memecoin conseguiu chegar ao Market cap de US$ 60 milhões em janeiro de 2014, conseguindo ser citada até pelo bilionário Ellon Musk, CEO da Tesla e SpaceX.
O mercado de Altcoins é mais volátil e arriscado que investir apenas no bitcoin, porém o investidor que consegue entender as dinâmicas únicas desse mercado normalmente consegue retornos inacreditáveis.
Como investir em criptomoedas
É muito simples investir em criptomoedas, basta apenas que tenha acesso a alguma exchange de criptomoedas como por exemplo a Binance.
Atualmente com a ascensão das criptomoedas a maioria dos bancos digitais já oferecem a opção de compra, porém é importante ressaltar que a maioria dos bancos digitais não permitem que você saque a sua criptomoeda, ou seja, quando você compra uma criptomoeda nesse modelo é apenas para ganhar com a valorização do preço, o que faz com que sua criptomoeda perca um dos principais benefícios que é ser inconfiscável.
Como realizar a custódia das suas criptomoedas
Em relação a custódia das criptomoedas existem principalmente três maneiras diferentes, a primeira é deixar suas criptomoedas alocadas na exchange em que fez a compra, a segunda é através das hot wallets e a última através das cold wallets.
A primeira opção é deixar as suas criptomoedas em uma exchange, porém essa opção é a menos recomendada, pois caso aconteça algum problema com a corretora muito provavelmente as criptomoedas em custódias serão perdidas, como aconteceu com a FTX que entrou em recuperação judicial em 2022, fazendo com que muitos clientes perderem seu capital. Outro ponto importante é que como as exchanges operam na internet, caso sofram ataques de hackers os ativos estariam desprotegidos.
Outra opção possível são as hot wallets que são carteiras de criptomoedas digitais. As hot wallets são aplicativos que fazem a custódia de criptoativos, você só precisa baixar em seu computador ou celular e transferir suas criptomoedas. O ponto é que as hot wallets são mais seguras que deixar seus criptoativos em uma Exchange, porém pelo fato de na maioria do tempo estarem conectadas na internet ainda são suscetíveis a hackers.
A opção mais segura de custódia de criptoativos são as cold wallets, que são carteiras físicas onde na maioria do tempo não estão conectadas a internet. Isso faz com que seja a maneira mais segura de custodiar seus ativos. Os criptoativos em uma cold wallet são inconfiscáveis pelo fato de não estarem conectadas a internet, outro ponto é que caso perca sua wallet, basta apenas comprar outra e colocar sua senha para recuperar seus ativos. Porém a senha de sua cold wallet deve ser guardada com o maior cuidado possível, pois caso não lembre ou não tenha acesso a sua senha, os seus ativos serão perdidos definitivamente.
Considerações Finais
As criptomoedas são ativos muito convexos (no pior dos casos o investidor perde todo seu capital, mas no melhor dos casos os ganhos são praticamente ilimitados) que podem proporcionar lucros extraordinários aos investidores, porém vale lembrar que são bastante voláteis e arriscados. Esses ativos devem fazer parte do portifólio dos investidores, mas sempre respeitando a aversão a risco de cada um, o recomendado é que um investidor iniciante não tenha mais que 10% de seu portifólio em criptoativos.
Os criptoativos são opções interessantes para o crescimento patrimonial, mas vale ressaltar que como em qualquer outro investimento, o investidor deve estudar muito bem o ativo antes de aplicar o seu capital. Seguindo essas recomendações os investidores terão muito mais segurança e aproveitarão melhor a convexidade proporcionada por esses ativos.
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