Por que contratar um plano de Previdência Privada?
O que é o sistema previdênciário?
Antes de começar com o assunto do artigo temos que entender o que é sistema previdenciário, a ideia desse sistema é que você guarde uma parte de seus ganhos durante a sua jornada de trabalho para que no final de sua vida quando não puder mais trabalhar você consiga se sustentar com suas economias.
Veja que isso faz muito sentido, pois, normalmente na parte final de nossas vidas estamos menos propensos a ter uma rotina de trabalho tão desgastante. Outro ponto é que os problemas de saúde começam a aparecer nessa etapa (desde que tenha uma rotina minimamente saudável), e se torna necessário ter uma reserva financeira para arcar com esses custos.
Dentro do sistema previdênciário temos a previdência social e a previdência privada, cada uma com suas características, ao longo desse artigo vamos entender cada uma dessas modalidades e como elas funcionam.
Entendendo a previdência social
A previdência social tem muitas fragilidades que tornam impossível depender desse sistema, a primeira fragilidade é que esse sistema é administrado pelo governo e totalmente compulsório, ou seja, se você está no regime CLT é obrigado a contribuir com o INSS.
O segundo e o principal problema da previdência social é que a sua contribuição não fica aplicada em algum investimento até o momento do seu usufruto, a contribuição da previdência social é usada para arcar com os custos de quem já está aposentado e dependente desse sistema, ou seja, quando você chegar a fase de usufruto, você vai depender de pessoas que estão na fase de acumulação para receber seu benefício.
O problema é que conforme o tempo passa com a evolução da medicina a expectativa de vida vem aumentando, consequentemente, existem mais pessoas na fase de usufruto por mais tempo, e junto a isso existe outro problema, os casais atualmente tem tido menos filhos, ou seja, a força de trabalho está diminuindo e não estão sendo suficientes para arcar com o beneficio das pessoas que estão aposentadas.
Com isso o governo é obrigado a realizar as famosas reformas previdenciárias, que nada mais são que maneiras de controlar o fluxo de entrada de pessoas no benefício, visto que o sistema não está conseguindo arcar com a quantidade de pessoas na fase de usufruto devido a diminuição da mão de obra efetivamente trabalhando no Regime CLT.
Isso nos deixa com apenas uma conclusão possível para esse regime, ele está fadado a quebra, e possivelmente muita gente ou a maioria que contribui hoje não terá a oportunidade de se aposentar pelo sistema previdenciário social, ou pelo menos não com a mesma quantidade atual.
Entendendo a previdência privada
Isso nos deixa com apenas uma alternativa, que é a previdência privada, que é onde o trabalhador toma o controle de suas economias e escolhe onde o seu dinheiro será aplicado, de modo que com o passar do tempo possa usufruir dos seus investimentos.
Perceba que ao contrário da previdência social onde o dinheiro aplicado é usado para pagar o benefício de quem já está aposentado, na previdência privada o montante aplicado está investido e gerando resultados. Ou seja, na previdência privada o seu dinheiro está aumentando conforme você realiza novos aportes e com a ação dos juros compostos.
Um ponto importante de se destacar é que a previdência privada requer bastante estudo para que o trabalhador que deseja se aposentar possa aplicar o dinheiro da maneira correta, assim aumentando a segurança e conseguindo maiores rentabilidades. Caso o trabalhador deseje focar totalmente no seu trabalho, outra opção é contratar uma assessoria de investimentos, onde os assessores realizam a gestão profissional do seus investimentos. O ponto negativo é que será necessário remunerá-los.
Independente de qualquer forma que deseje começar, a previdência privada sempre será a melhor opção para garantir o seu futuro e da sua familia.
Fundos de Previdência
Os fundos de previdência funcionam basicamente como a previdência social no Brasil, a pessoa que está planejando se aposentar aplica seus recursos em um fundo de previdência com a intenção de usufruir desse dinheiro em um prazo predeterminado. Nos fundos de previdência as intituições financeiras tem a função de investir os recursos dos clientes (Na previdência social esse papel é do governo), mas ao contrário da previdência social em que o dinheiro aplicado é usado para pagar o benefício de quem já está na fase de usufruto, nos fundos de previdência o montante aplicado está investido e rendendo juros.
Um ponto importante é que investimentos em fundos de previdência são excelentes para o planejamento de longo prazo, pois após 10 anos a alíquota de imposto de renda cai para apenas 10% dependendo do plano contratado. Por isso é recomendável que os recursos aplicados em fundos de previdência sejam destinadas para objetivos de longo prazo, de preferência em prazos maiores que 10 anos.
Existem diversos benefícios de contratar um fundo de previdência que vão desde benefícios tributários até o auxílio na sucessão patrimonial. A questão tributária vamos falar mais a frente no artigo, agora vamos entender um pouco sobre a sucessão patrimonial, caso contrate um fundo de previdência o montante aplicado não entra no processo de abertura de inventário, ou seja, se porventura o cliente venha a óbito, os recursos do fundo são imediatamente destinados aos beneficiários listados no plano, o que é outro ponto positivo frente a previdência social que na hipótese de o beneficiário venha a óbito apenas encerra-se o auxílio.
Quando o cliente contrata um plano com um fundo de previdência, ele consequentemente está contratando a gestão profissional para seu portifólio, devido ao fato de que a gestão dos recursos aplicados é feita por instituições financeiras que dispõem de melhores ferrramentas para alocar o capital que pequenos investidores. É importante destacar que existem taxas dentro do fundo para remuneração dos gestores e que devem ser levadas em consideração durante a análise de rentabilidade.
Outro benefício dos fundos de previdência é a portabilidade, pois caso o cliente esteja insatisfeito com o fundo contratado é possível migrar para outro fundo de previdência sem precisar resgatar o investimento (O que geraria percas por conta da tributação). Porém existe alguns pontos de atenção que iremos falar mais a frente no artigo.
Ao final do período de acumulação o contratante do plano de previdência tem duas opções para receber o montante aplicado, a primeira e receber tudo de uma vez ou converter esse capital em renda. Caso o cliente deseje converter em renda, isso pode ser feito de diversas maneiras desde renda com prazo determinado até renda vitalícia. Porém é importante destacar que a maneira como a renda será distribuida impacta em seu valor mensal.
Como escolher bons Fundos de Previdência?
Agora que você entende o que são fundos de previdência e deseja contratar um plano de previdência privada, vamos saber como escolher os melhores fundos para compor o seu portifólio de investimentos. Os principais pontos que você deveria entender na hora de realizar uma análise de fundos de previdência são:
As taxas
O primeiro ponto a ser observado ao escolher um bom fundo de previdência são as taxas existente no fundo, isso deve ser observado pois impacta diretamente na rentabilidade. Existem basicamente três taxas que podem aparecer quando se investe em fundos de previdência, a primeira é a taxa de entrada e saída, a segunda é a taxa de admnistração e por fim a taxa de performance.
A taxa de entrada é aplicada quando você aplica o dinheiro no fundo e essa porção do montante aplicado sequer chega a ser investida (Caso ja tenha investido em fundo de previdência, pode ter notado que o montante que é investido de fato é menor que o aplicado), a taxa de saída acontece no momento do resgate. O ideal é que não exista a taxa de entrada ou de saída, porém caso o fundo tenha apenas a taxa de saída esse se torna uma opção.
A taxa de administração é a maneira pela qual o gestor do fundo é recompensado por seu trabalho. Essa taxa varia de acordo com a complexidade do fundo escolhido, porém é importante sempre analisar o valor da taxa de administração pois impacta diretamente na rentabilidade do fundo.
E por fim temos a taxa de perfomance que é cobrada caso o gestor consiga bater os benchmarks (parâmetros comparativos) descritos na lâmina do fundo. É importante analisar a taxa de perfomance em comparação com a rentabilidade do fundo, o que da a certeza se a cobrança da taxa de perfomance reflete positivamente na rentabilidade do fundo.
A Gestão
Um dos pontos positivos em investir em fundos é a gestão profissional, e isso deve ser levado em consideração no momento da contratação de um plano de previdência. Sempre é recomendável procurar por outros produtos da mesma instituição financeira que faz a gestão do fundo observado e analisar o trabalho desenvolvido pela gestão.
A estratégia de investimento
É importante que antes de realizar o investimento o contratante saiba exatamente em que produtos o montante aplicado será aplicado, em qual proporção e o risco agregado do fundo. Esses passos são importantes para o alinhamento de expectativas entre a gestão do fundo e o contratante. Um exemplo para simplificar, caso o contratante tenha alta aversão a risco não é recomendável que aloque seu capital em fundos de previdência que investe em ações, pois são aplicações naturalmente mais voláteis. Esse mesmo contratante deveria investir em fundos que investem o capital aportado em títulos de renda fixa, o que estaria em linha com o seu perfil de investidor.
Planos PGBL e VGBL
Agora que Já escolheu o fundo em que vai aplicar o seu dinheiro, o próximo passo é escolher qual o plano de previdência aderir e as suas características. Existem duas opções ao aplicar seu dinheiro em um fundo de previdência, o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre.).
PGBL
O plano PGBL é ideal para quem declara o imposto de renda de forma completa, já que conta com uma redução de até12% da renda bruta tributável na declaração de imposto de renda conforme o montante aplicado em um plano PGBL. É recomendável que quem declara o imposto de renda de forma completa, tenha pelo menos um plano PGBL com até 12% de sua renda bruta tributável para aproveitar a vantagem tributária.
Por conta dessa vantagem tributária, no momento do resgate a tributação é realizada sobre o montante aplicado juntamente com os rendimentos obtidos.
VGBL
O plano VGBL não dispoem de vantagens tributárias, porém no momento do resgate a alíquota de IR incide apenas nos rendimentos. Esse plano é indicado para quem declara o imposto de renda de forma simplificada ou para quem já possui um plano PGBL com o valor referente a 12% de sua renda bruta tributável alocado para a dedução no imposto de renda.
Como funciona a tributação em fundos de previdência?
Agora que já definiu o plano a ser contratado, é hora de definir a tabela de tributação que será aplicado ao seu plano de previdência privada. Existem duas tabelas de tributação distintas para essa modalidade, a tabela progressiva e a tabela regressiva.
Tabela progressiva
Na tabela progressiva a alíquota de imposto aumenta conforme a renda mensal, que pode variar desde a isenção até a alíquota máxima de 27,5%. É importante destacar que na tabela progressiva entram na base de cáculo todos os rendimentos mensais obtidos, não somente o resgate de parte dos recursos aplicados em seu fundo de previdência, ou seja, a renda do trabalho, aluguéis, outros investimentos e etc.
Base de cálculo (renda mensal) | Alíquota |
Até R$ 2.112,00 | 0,0% |
De R$ 2.112,01 até R$ 2.826,65 | 7,5% |
De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 | 15,0% |
De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 | 22,5% |
Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% |
Note que com todas as rendas mensais entrando na base de cálculo é muito fácil atingir a alíquota máxima de impostos, ou seja, para a maioria das pessoas é mais viável a tabela regressiva, que falaremos no próximo tópico.
Tabela regressiva
Já na tabela regressiva a alíquota de tributação diminui a medida que o montante continua investido, chegando na alíquota miníma de 10% após 10 anos.
Caso opte pela tabela regressiva:
Prazo do investimento | Alíquota |
Até 2 anos | 35% |
De 2 a 4 anos | 30% |
De 4 a 6 anos | 25% |
De 6 a 8 anos | 20% |
De 8 a 10 anos | 15% |
Acima de 10 anos | 10% |
Como dito anteriormente os fundos de previdência são investimentos para prazos superiores a 10 anos onde atinge a alíquota minima de imposto além de aproveitar as vantagens tributárias e a facilidade na sucessão patrimonial. Pensando nisso a tabela regressiva na maioria dos casos faz mais sentido para o investidor, visto que caso precise do capital em um período de tempo menor existem melhores opções de investimentos.
Como funciona a portabilidade nos fundos de previdência?
Agora vamos entender como funciona a portabilidade nos fundos de previdência, caso deseje transferir os recursos para outro fundo de previdência sem a necessidade de resgatá-lo.
Caso esteja insatisfeito com seu plano de previdência e deseja alterar a instituição financeira, basta simplismente entrar em contato com a instituição financeira de destino do seu capital e ela encaminhará todo o processo sem custo algum.
Existem alguns pontos a serem considerados no momento da portabilidade:
- A portabilidade so pode ser feita apenas na fase de acumulação (Durante o período em que estever aportando no seu plano).
- A mudança so ocorrerá entre planos da mesma modalidade (PGBL para VGBL ou VGBL para VGBL)
- A tabela de tributação so poderá ser alterada da tabela progressiva para a regressiva.
A portabilidade só poderá ocorre após o periodo de carência de 60 dias a partir da data de contratação. Na tabela de tributação regressiva a portabilidade não afeta o tempo de aplicação para a diminuição da alíquota de imposto, ou seja, caso você esteja no plano há oito anos antes de migrar, após a portabilidade você mantém a contagem desses oito anos de investimento.. Da mesma forma que não é cobrado impostos durante a portabilidade, somente durante o resgate do capital.
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