Guia prático para investir em ações
Entendendo as ações
Antes de mais nada precisamos entender o que são ações. As ações são a menor fração possível de participação em uma empresa, ou seja, caso você deseje investir em uma empresa, seja ela de capital aberto ou não, você precisará comprar um determinado numero de ações de uma empresa. Em empresas pequenas de capital fechado, normalmente com poucos controladores, é negociado o montante referente a porcentagem que deseja adquirir da empresa. Já em empresas de capital aberto, como possuem uma quantidade enorme de acionistas, você pode comprar uma fração muito menor da empresa, e essas frações são chamadas de ações.
As empresas de capital fechado são empresas que pelo seu tamanho ou por opção dos controladores, o investidor não consegue adquirir parte da empresa na bolsa de valores. Já as empresas de capital aberto são as empresas negociadas na bolsa de valores.
As empresas abrem capital (colocam uma parte da empresa para ser negociada na bolsa de valores) para que consigam recursos para financiar suas atividades e realizar investimentos, essa negociação funciona da seguinte maneira, as empresas que desejam ser negociadas na bolsa de valores (A B3 é a bolsa brasileira) preparam um IPO (Initial public offering) que nada mais é que um lançamento das suas ações na bolsa de valores, e o montante arrecadado e destinado a empresa. A partir desse ponto as ações são negociadas na bolsa de valores, é importante destacar que depois que uma empresa esta listada na bolsa de valores a negociação acontece entre os detentores das ações, ou seja, caso deseje comprar as ações de uma empresa listada na bolsa de valores o investidor deverá negociar com outros investidores que desejam vender as suas ações. Por conta disso o preço das ações é determinado pelo mercado, caso haja mais investidores querendo vender suas ações do que investidores querendo comprar, as ações desvalorizam e o contrário também é verdadeiro, caso haja mais investidores querendo comprar do que investidores querendo vender, as ações valorizam.
As empresas de capital aberto tem obrigações que as empresas de capital fechado não tem, como por exemplo a divulgação de relatórios trimestrais com seus resultados e serem avaliadas por auditorias independentes, visando manter a transparência e auxiliar os investidores na tomada de decisão.
Como rentabilizar investindo em ações
Existem basicamente duas maneiras de rentabilizar seu patrimônio com ações, a primeira é através da valorização das empresas na bolsa de valores e a segunda é com a distribuição de lucros que as empresas distribuem aos acionistas.
A valorização acontece quando você compra ações de uma empresa por um valor e devido ao aumento de demanda o preço das ações aumentam. Para que o investidor consiga lucrar com a variação de preço do mercado é necessário que sempre esteja atento ao preço pago pelas ações, caso o investidor compre as ações por um preço muito alto, essas ações podem se desvalorizar, fazendo com que o investidor tenha prejuízo no momento da venda. Caso o investidor compre ações e essas ações valorizem, o investidor pode vender as ações auferindo lucro.
O investidor também pode aumentar seu patrimônio através dos lucros distribuídos pelas empresas aos acionistas, por exemplo, supondo que uma empresa xyz obteve R$ 1.000.000,00 de reais em lucro e deseja distribuir esse montante aos acionistas, cada acionista receberá uma parte referente a sua participação na empresa. Essa parte recebida pelo acionista são chamados de proventos, os proventos podem ser distribuídos como dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP). A diferença principal entre JCP e dividendos é que os dividendos são isentos de imposto de renda. Para que o investidor consiga rentabilizar o seu patrimônio através dos dividendos é necessário que seja feita uma análise criteriosa sobre a saúde da empresa, pois, para pagar bons proventos as empresas precisam ser rentáveis.
O cenário ideal é que o investidor consiga rentabilizar tanto na valorização de suas ações quanto com a distribuição de proventos, mas nem sempre é possível devido as características das empresas.
O que são small caps?
As small caps são empresas listadas na bolsa que ainda estão em estágios iniciais e possuem baixa capitalização. Normalmente as small caps não distribuem dividendos, pois a empresa usa todo o lucro para realizar reinvestimentos na operação.
Com o reinvestimento continuo a empresa pode aumentar suas operações e consequentemente aumentar o seu valor de mercado, fazendo com que suas ações valorizem no mercado, auferindo lucros aos acionistas. Por conta do reinvestimento constante e por apresentarem muito espaço para crescimento das operações por conta de estarem em estágios iniciais de maturação, as small caps tem o potencial de valorização altíssimo, podendo rentabilizar o patrimônio do acionista de forma exponencial.
É importante destacar que as small caps são papéis mais voláteis e arriscados, devido ao fato de serem empresas que estão começando suas operações e não possuem a estabilidade de grandes corporações.
Por serem papeis menos conhecidos, as small caps normalmente são menos líquidas que grandes corporações, ou seja caso o investidor necessite do capital de forma rápida pode ser que tenha algum prejuízo na venda.
O que são Blue chips?
Ao contrário das small caps, as blue chips são empresas já consolidadas, em estágio final de maturação e possuem alta relevância no mercado em que operam. As blue chips normalmente são papeis mais líquidos, ou seja, são empresas que são mais procuradas por investidores pelo fato de serem mais seguras e estáveis. Por conta de seu estágio de maturação essas empresas não necessitam de reinvestimento constante, consequentemente o seu potencial de valorização é menor que as small caps.
Pelo fato de necessitarem de menor reinvestimento nas operações, o lucro auferido pela empresa e destinado novamente aos investidores na forma de proventos. Enquanto as small caps remuneram o investidor pela valorização das ações no mercado, as blue chips remuneram através dos proventos distribuídos (dividendos e JCP). Vale lembrar que as ações de empresas blue chips também se valorizam no mercado, porém em menor intensidade, pois como já são empresas muito grandes e robustas existe menor espaço para o crescimento de suas operações.
Small caps ou blue chips?
É necessário entender que cada uma dessas categorias de empresas tem suas características intrínsecas que devem ser analisadas antes de realizar o investimento. As small caps tem a capacidade de aumentar seu patrimônio de forma espetacular pela valorização de seus papéis, porém são empresas menos liquidas, mais voláteis e consequentemente mais arriscadas.
Enquanto que as blue chips não possuem o mesmo potencial de valorização, porém apresentam outras características interessantes como formação de renda passiva por meio dos proventos distribuídos, segurança e estabilidade.
A diversificação é parte fundamental de bons portifólios de investimentos, ou seja, o investidor não precisa necessariamente investir em small caps ou blue chips, esses investimentos se complementam. O investidor pode aproveitar o alto potencial de valorização e aumento patrimonial proporcionado por small caps, enquanto aproveita a renda mensal e a segurança proporcionada pelas blue chips.
É necessário destacar que a proporção de cada ativo na carteira de investimentos deve estar em linha com os objetivos do investidor, sua aversão a risco e horizonte de pensamento. Como por exemplo, não adianta colocar várias small caps dentro do portifólio de investimentos de um investidor que tenha muita aversão a risco, pois quando o preço dessas ações começar a variar negativamente, esse investidor poderá vender as ações por medo e acabar tomando muito prejuízo.
Em síntese é importante que o investidor tenha em mente seus objetivos e suas características principais em relação aos seus investimentos, para que consiga segurar esses ativos pelo tempo necessários e conseguir o retorno potencial esperado para seu portifólio de investimentos.
Penny stocks
As Penny stocks são ações negociadas na bolsa de valores a preços muito baixos na casa dos centavos, isso acontece por que muita das vezes esses papeis estão passando por dificuldades financeiras em uma recuperação judicial. Esse valor indica que esses papeis possuem pouco ou nenhum valor de capitalização.
A B3 tem restrições sobre as ações negociadas a valores menores a R$1, segundo as diretrizes da bolsa as empresas não podem fechar 30 pregões seguidos abaixo desse valor. Isso pode acarretar suspenção nas negociações ou ate a retirada da empresa na bolsa de valores.
Caso isso aconteça a empresa é notificada pela B3, e tem um prazo de 15 dias para apresentar um plano de ação. Para aumentar o valor de negociação dos papeis as empresas podem realizar recompra de suas ações, ou buscar um comprador para seus papeis, porém a medida mais comum é o agrupamento de ações, onde a empresa agrupa lotes de ações diminuindo a quantidade disponível de mercado consequentemente aumentando seu preço. É importante destacar que os investidores continuam com o mesmo percentual de participação na empresa que tinham antes do agrupamento.
O que são ETFs?
Os ETFs são ativos de renda variável negociados na bolsa de valores, porém são diferentes das ações ou fundos imobiliários. Os ETFs são basicamente uma cesta com vários ativos de uma determinada categoria, como por exemplo o ETF BOVA11 que replica o índice Ibovespa (É uma seleção das maiores empresas negociadas na B3, a bolsa brasileira).
A principal vantagem de investir em ETFs é a diversificação proporcionada por esses ativos, pois ao comprar cotas de um ETF o investidor está adquirindo diversos ativos que quando comprados separados dependeriam de maior quantidade de capital.
Outro ponto positivo de investir por meio de ETFs é a menor necessidade de tempo para escolher os ativos, pois como os fundos de investimentos que gerenciam os ETFs possuem gestão profissional o investidor precisa apenas escolher bons ETFs para o portifólio e deixar que a gestão do portifólio com os profissionais.
Investidores iniciantes podem aproveitar das vantagens desses ativos pois com pouco capital inicial eles tem acesso a uma ótima diversificação e menor necessidade de tempo para escolher os ativos que irão compor seu portifólio inicialmente, podendo focar em conseguir mais dinheiro para seus aportes e obter mais conhecimento para aumentar a rentabilidade da carteira.
Os ETFs também podem ser utilizados por investidores que desejam diversificar seu portifólio em outros países, caso disponha de menor conhecimento sobre o novo mercado os ETFs podem ser uma ótima opção para investir no exterior.
Entendendo o Ibovespa
O Ibovespa é o principal indicador de desempenho das ações negociadas na bolsa brasileira (B3), esse índice reúne as empresas mais relevantes para o mercado Brasileiro.
O Ibovespa é uma carteira teórica de ativos que fazem parte da B3, existem alguns critérios principais para a inclusão ou a retirada de papeis dessa carteira que é reavaliada a cada quatro meses. Os critérios são:
- Estar entre os ativos que representem 85% em ordem decrescente de Índice de Negociabilidade;
- 95% de presença em pregão;
- 0,1% do volume financeiro no mercado a vista (lote-padrão);
- não ser penny stock.
O investidor pode investir no índice Ibovespa através principalmente através do ETF BOVA11 como já foi dito anteriormente.
Inflação
A inflação é o aumento da oferta monetária sem que a capacidade produtiva do país acompanhe, isso faz com que o preço de serviços e produtos aumentem. A inflação pode acontecer por diversos fatores como o preço do dólar, aumento da oferta monetária, e até por acontecimentos extraordinários como por exemplo a pandemia da COVID 19.
Na prática a inflação acontece da seguinte maneira, acontece algo que aumente a oferta monetária ou afete a capacidade produtiva do país, logo a demanda por produtos ou serviços será maior que a capacidade produtiva, fazendo com que o mercado reorganize os preços para balancear a oferta e a demanda novamente. Para entender melhor imagine que cada pessoa no planeta fique milionário do dia para noite e as pessoas comecem a comprar casas, o que acontece é que o preço das casas vão subir, porque o mercado percebe o excesso de dinheiro na economia e começa a corrigir os preços para equilibrar a oferta e a demanda. Porém o contrário também é verdadeiro, caso haja um aumento na oferta de produtos ou serviços e a demanda não acompanhe, os preços tendem a cair.
Taxa de juros
Outro componente essencial para a economia são as taxas de juros, que nada mais são que o custo de crédito. Ou seja, o custo de empréstimos, cartões de crédito e financiamentos aumentam conforme as taxas de juros, caso as taxas de juros abaixem o custo de tomar dinheiro emprestado também diminui.
Quando as taxas de juros estão em patamares elevados os empréstimos ficam mais caros, diminuindo o ímpeto das empresas em tomar dinheiro emprestado para investir em suas operações, assim como as pessoas, que diminuem a frequência de créditos e financiamentos. Quando as taxas de juros estão em patamares normais ou baixos os empréstimos ficam mais baratos, o que permite que empresas e as pessoas tenham mais acesso a crédito.
Qual a relação entre Inflação e Taxa de juros
A inflação e as taxas de juros são os componentes principais da política monetária de um país, ou seja, esses indicadores ditam as dinâmicas econômicas. Existe a correlação negativa entre ambos, portanto quando as taxas de juros caem a inflação tende a se elevar e quando as taxas de juros sobem a inflação tende a ficar sobre controle.
Sabendo disso o Banco Central usa as taxas de juros como ferramenta para controlar a inflação e ditar o ritmo da economia. Quando o índice de inflação começa a subir, o Banco Central inicia o ciclo de alta nas taxas de juros visando encarecer o crédito, desaquecer a economia e diminuir a inflação. Quando a inflação está sobe controle, inicia-se o ciclo de baixa na taxa de juros com a intenção de aquecer a economia novamente visando o crescimento econômico do país.
As taxas de juros também tem influênciam no comportamento dos investidores, em ciclos de alta das taxas de juros as aplicações em renda fixa tendem a remunerar melhor, fazendo com que os investidores retirem seu capital da renda variável e aplicando em renda fixa buscando bons rendimentos e segurança.
Em ciclos de baixa das taxas de juros, as aplicações de renda fixa tendem a remunerar pouco os investidores, fazendo com que os mesmos retirem seu capital da renda fixa buscando maiores rentabilidades na renda variável.
É necessário que os investidores entendam a dinâmica entre esses componentes financeiros para que tenham capacidade de tomar melhores decisões em relação aos seus investimentos, refletindo na rentabilidade de seu portifólio.
Agindo contra a manada
Como já foi dito anteriormente o mercado financeiro é cíclico, ou seja, os investidores tem comportamentos que vem se repetindo durante os anos.
O ciclo é o seguinte, em ciclos de alta da inflação e consequentemente de taxas de juros os investidores tendem a retirar o capital da renda variável e migrar para renda fixa, pois nesse cenário a rentabilidade de produtos de renda fixa superam as de renda variável. Isso faz com que os produtos de renda variável se desvalorizem. Quando o Banco Central consegue controlar a inflação ocasionando o ciclo de baixa nas taxas de juros os investidores começam a migrar de volta para a renda variável, pois o rendimento de aplicações de renda fixa tendem a diminuir. E esse ciclo sempre se repete.
O problema nesse comportamento é que normalmente os investidores vendem seus ativos já desvalorizadas devido ao aumento da taxa de juros, e compram ativos de renda variável quando os ativos já estão caros. Isso faz com que investidores que seguem esse ciclo pouco aproveitem dos descontos de mercado.
Para exemplificar imagine que você precisa comprar um carro, qual seria o melhor momento para comprar, quando os preços de carros estão subindo ou quando estão caindo? Logicamente quando estão caindo, porém investidores aplicam a lógica inversa para ações e outros ativos de renda variável, comprando quando os preços estão subindo. Os ativos de renda variável devem ser acumulados em períodos de incertezas e altas taxas de juros, pois nesses momentos os investidores tendem a se desfazer de seus ativos causando a desvalorização, ou seja, o investidor pode comprar bons ativos por preços mais baixos. O que aumenta a rentabilidade do patrimônio, pois quando a economia se estabiliza os preços tendem a voltar a patamares normais e os investidores que adquiriram os ativos a preços baixos aproveitam a valorização de seus ativos.
Para investidores que desejam investir em ações ou em qualquer ativo de renda variável é necessário conhecer esse ciclo de mercado, para que seja possível tomar decisões precisas quanto aos investimentos, e não apenas seguir a onda do momento. Os investidores que obtém mais sucesso no mercado são aqueles que tomam decisões que contradizem a manada.
Como analisar ações
Para analisar as ações de forma assertiva é necessário dividir nossa análise de forma qualitativa e quantitativa. As analises qualitativas se referem a análises subjetivas dos papéis, já as análises quantitativas se referem a métricas matemáticas.
Indicadores qualitativos
Setor
Os setores em que as empresas estão distribuídas podem facilitar ou dificultar o seu desempenho. O investidor antes de escolher uma ação e realizar seu investimento deve escolher muito precisamente o setor e saber em qual contexto a empresa está inserida.
Setores onde há alto grau de regulamentação e essas regulamentações tem impactos acentuados nas atividades da empresa, normalmente pode não ser a melhor escolha. Um exemplo é o setor de aviação.
Outros setores que o investidor deve ser cuidadoso ao investir são setores em que necessitam de alta quantidade de capital de giro, como por exemplo o setor de varejo onde as vendas muitas são parceladas e a empresa precisa de capital de giro constante para manter o negócio rodando.
Os investidores devem sempre olhar para setores perenes, onde o cliente não consegue mesmo que queira deixar de consumir, como por exemplo o setor elétrico que tende a ser um dos melhores setores para investimento, pois, é muito improvável que algum cliente fique inadimplente.
Outra característica importante de ótimos setores são setores onde o cliente paga e prefere que não precise usufruir do produto, como por exemplo as seguradoras e resseguradoras, pois o cliente adquire o produto, mas não deseja solicitá-lo.
Entender as características de cada setor é essencial para que os investidores consigam realizar análise assertivas e decisões informadas sobre seu portifólio de investimentos.
Governança corporativa, Estatutos e políticas da empresa
A governança corporativa é um sistema que é formado pelos princípios que regem a empresa, estruturas e processos, esse sistema busca a geração de valor para seus sócios e para a sociedade em geral.
Os estatutos e políticas das empresas descrevem como as empresas funcionam e como devem agir em determinadas circunstâncias. Os estatutos e políticas proporcionam ao investidor o entendimento de como a empresa funciona e toma decisões importantes, que o impactam diretamente.
É importante que o investidor esteja alinhado com os princípios e as estruturas da empresa em que se pretende investir, pois ao se tornar sócio o investidor entende que os processos dentro da empresa serão dirigidos da melhor forma possível, visando retornos que beneficiem a organização e os investidores que confiaram seu capital nos papeis da empresa.
Esse alinhamento é necessário para que a relação entre ambos permaneça por tempo necessário e consequentemente gere bons frutos.
Composição acionária
Quando tratamos de composição acionária existem alguns pontos a serem explicados, a análise da composição acionária é importante pois nos ajuda a entender e a formular algumas hipóteses para o futuro da corporação.
As empresas podem ser estatais ou privadas, as empresas estatais são corporações em que o governo é o controlador, ou seja, a maior porcentagem de participação pertence ao governo. Já as empresas privadas são corporações que não são controladas pelo governo.
As empresas privadas geralmente são focadas na geração de valor e lucratividade, o que torna as empresas privadas mais atrativas ao mercado. As empresas privadas tendem a ser mais eficientes, visto que elas buscam a competitividade no mercado.
As empresas estatais normalmente são vistas como empresas menos eficientes, visto que o controlador principal (estado) não busca apenas a lucratividade e eficiência como nas empresas privadas, As estatais podem ser usadas para outros fins, como por exemplo, em estratégias políticas. Essas empresas tendem a ser menos eficientes, isso se dá pela configuração dos concursos públicos em que os empregados possuem proteções contra demissões, o que faz com que os trabalhadores muitas vezes fiquem acomodados.
Outro ponto negativo é que as empresas estatais podem sofrer com ingerências políticas, que nada tem a ver com aumentar lucratividade ou a eficiência da empresa, mas sim com outros fatores como a disputa política ou melhorar a imagem do governo com os cidadãos.
É importante ressaltar que existem ótimas empresas estatais em que se pode investir, como por Exemplo o Banco do Brasil, que é um dos maiores bancos do país. Pela configuração das empresas estatais existe um prêmio de risco associado, ou seja, os papeis dessas empresas normalmente são negociados a múltiplos menores que as empresas do setor privado. Isso pode beneficiar os investidores, pois podem adquirir ótimas empresas por preços atrativos devido ao fato de serem empresas estatais.
Indicadores Quantitativos
Endividamento
O endividamento de uma empresa é um ponto crucial a ser avaliado, pois quando menos dividas a empresa em questão possui, melhor será a saúde financeira da corporação e mais resiliente a empresa será.
É importante destacar que o endividamento de uma empresa sempre deve ser analisado em conjunto com o setor de atuação da companhia, pois certos setores necessitam de um endividamento maior para que a empresa se torne mais competitiva.
Um indicador que pode ser utilizado para a avaliação do endividamento de uma empresa é o Dívida líquida/ patrimônio líquido, que mostra o percentual de divida em relação ao seu patrimônio líquido. Uma empresa que possui uma dívida líquida/patrimônio líquido baixa, significa que ela tem mais patrimônio do que dívida e, portanto, é mais financeiramente saudável.
Outro indicador que pode ser utilizado na avaliação é Dívida Líquida/EBITDA, que demonstra a capacidade de uma empresa de pagar suas dívidas com seus lucros operacionais. Quando esse indicador é baixo geralmente é um indício de que a empresa tem uma boa capacidade de pagar suas dívidas com base em seus lucros operacionais.
O ultimo indicador que separamos é a liquidez corrente, esse indicador mostra a capacidade da empresa de honrar suas obrigações financeiras de curto prazo e de manter suas operações diárias. Quando o índice de liquidez corrente é alto, a empresa normalmente é considerada mais segura, pelo fato de ter uma fonte mais estável de fluxo de caixa e são menos propensas a ter dificuldades financeiras imediatas.
É aconselhável o aprofundamento desses indicadores para que o investidor consiga analisar a saúde financeira de uma empresa de forma assertiva.
Preço/Lucro
O Preço lucro ou PL, é um dos indicadores mais importantes para realizar uma análise sobre o preço justo de uma empresa. Esse indicador nos mostra o quanto o mercado está disposto a pagar pelos lucros auferidos por determinada empresa.
De forma mais simples pode se dizer que o PL mostra em quanto tempo demora para que a empresa retorne o capital investido apenas utilizando o lucro auferido, ou seja caso a empresa tenha um PL de 5, isso significa dizer que demoraria 5 anos para que apenas com os lucros distribuídos o investidor tenha o capital investido de volta. Isso significa que quanto menor o PL de uma empresa, mais atrativo é o preço dos papéis, porém, vale ressaltar que um PL muito baixo pode indicar algum problema na empresa e o mercado está embutindo esse problema no preço das ações.
Outro ponto importante é que o PL pode variar de setor para setor, ou seja, um PL considerado baixo em um setor pode ser considerado alto em outro, por isso é necessário que o investidor entenda em qual contexto a empresa avaliada esta inserida antes de analisar o preço/lucro.
Margem líquida
A margem líquida mostra o quanto de receita é convertida em lucro pela empresa, sendo apresentado na forma de porcentagem. Esse indicador mostra a eficiência da empresa em transformar sua receita em lucro.
Vamos supor que uma empresa possua 50% de margem líquida, ou seja a cada R$1 de receita a empresa consegue transformar R$ 0,50 em lucro. O alto índice de margem líquida indica que a empresa está saudável e que pode utilizar mais da sua receita para reinvestir no negócio ou remunerar os acionistas por meio de proventos.
Dividend yield (DY) e Payout
O dividend yield (DY) mostra o quanto a empresa paga de proventos em relação a cotação atual. O ideal é que as empresas disponham do maior dividend yield possível, porém quando esse indicador é muito acima da média pode indicar que a empresa passou por uma forte desvalorização e como o DY é a relação entre a cotação atual e os proventos distribuídos nos últimos 12 meses, quanto mais a empresa se desvaloriza maior será o DY.
O payout é a porcentagem do lucro líquido que é distribuído aos acionistas na forma de proventos, o ideal é que esse indicador seja o maior possível, dentro do aceitável para que a empresa consiga desenvolver suas atividades. Caso a empresa tenha um payout de 100% isso significa que a empresa distribui todo o seu lucro líquido para os acionistas.
Esses dois indicadores são essenciais para investidores que desejam construir renda passiva com os investimentos, e devem sempre ser analisados em conjunto para que a decisão seja a mais precisa possível.
P/VP
O P/VP ou Preço sobre o valor patrimonial é um indicador que deve ser utilizado para analisar se o preço está em linha com o valor patrimonial da empresa.
Empresas com o P/VP menor que 1, estão sendo negociados abaixo do valor patrimonial. Caso o P/VP de uma empresa seja 0,5, isso significa que esse papel está sendo negociado pela metade do que realmente vale e que você está comprando cada R$1 de patrimônio da empresa por R$0,50.
Se o P/VP for maior que 1, significa que o papel está sendo negociado acima do seu valor patrimonial. Caso o P/VP seja 2, isso significa que a empresa está sendo negociado pelo dobro do que realmente vale e que você está comprando cada R$ 1 de patrimônio por R$2.
Os fundos com P/VP igual a 1, estão no seu valor justo.
Esse indicador é importante pois ajuda a ter uma noção do preço de uma ação, mas vale lembrar que em alguns setores de mercado as empresas são comumente negociadas acima ou abaixo do preço justo, por isso vale ressaltar mais uma vez que é necessário que o investidor entenda o contexto em que a empresa está inserida.
Como adquirir ações na prática
Agora em diante vamos entender como adquirir ações na prática, atualmente é muito simples para qualquer pessoa adquirir ações, basta que tenha uma conta em uma corretora ou banco. Hoje em dia a maioria dos bancos possuem a função de corretagem no mercado financeiro.
Aberto sua conta na corretora de valores, existem alguns termos que o investidor se deparará ao negociar ações no mercado financeiro. O primeiro são os tickers das ações no mercado, que nada mais são que os codigos que identificam os papeis, normalmente eles são formados de 4 letras e um ou dois números.
Exitem três tipos de ações na bolsa de valores, o primeiro são as ações ordinárias que são os papéis em que o acionista tem o direito a voto nas assembleias. O ticker das ações ordinárias são terminados com o número 3, como por exemplo as ações ordinárias da Klabin (KLBN3). Existem também as ações preferenciais, onde apesar de não proporcionar direito a voto para o acionista, garantem a preferência nos recebimentos de proventos. O ticker de ações preferênciais terminam com o número 4, como os papéis da Petrobrás (PETR4). E por fim temos as ações units, onde o investidor adquire um pacote de ações preferênciais e ordinárias. O ticker das units terminam com o número 11, como exemplo temos as units da Taesa (TAEE11).
O investidor que deseja comprar ações no mercado financeiro pode comprar tanto ações individuais ou em pacotes de 100 ações. Para adquirir qualquer quantidade menor que 100 ações o investidor deve comprar no mercado fracionário, basicamente não existe diferença nos papeis negociados no mercado fracionário, porém alguns papéis podem ter menor liquidez. O ticker de ações negociadas no mercado fracionário tem a letra F no final (como por exemplo o papel TAEE11F). Quando o investidor deseja comprar maior quantidade de papéis, normalmente negociam no lote padrão, que são pacotes de 100 ações.
Como é a tributação nas ações
As ações são tributadas no ganho de capital, ou seja, caso o investidor no momento da venda tenha auferido lucro é necessário a emissão de uma guia de imposto de renda. A alíquota de IR sobre o ganho de capital com ações é 15% em negociações normais (compra e venda em dias diferentes) e em caso de compra e venda no mesmo dia a alíquota sobe para 20%.
E importante ressaltar que caso o investidor venda menos de R$ 20 mil reais em ações por mês, ele é isento de imposto sobre a valorização. Outro pronto que ajuda o investidor a pagar menos impostos é a compensação de prejuízos, ou seja, caso o investidor tenha prejuízo em uma operação de venda, esse prejuízo pode ser usado para compensar lucros futuros. Por exemplo, caso um investidor tome R$ 5 mil de prejuízo em um mês e em algum mês subsequente tenha R$ 5 mil de lucro, o investidor pode compensar e não pagar imposto sobre o lucro auferido.
Os dividendos distribuidos aos acionistas são isentos de cobrança de IR, porém os juros sobre capital próprio são tributados direto na fonte (antes da empresa distribuir aos acionistas), sujeitos a uma alíquota de 15%.
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